Quem tem epilepsia pode beber álcool?

Atualizado: 7 de mai.

A epilepsia acomete indivíduos das mais diversas faixas etárias. Entre os adultos, principalmente entre os mais jovens, é muito frequente o questionamento se poderiam ingerir bebidas alcoólicas e se o álcool “cortaria o efeito” dos remédios prescritos.


A resposta é: depende. O consumo de uma quantidade moderada em paciente com crises epilépticas controladas é aceitável. A questão é saber o quanto é considerado “moderado”. A OMS estabelece como seguro 10 gramas de álcool por dia. Como cada bebida tem seu teor alcoólico, a quantidade que pode ser ingerida varia a cada bebida. Quanto mais álcool proporcionalmente, menor a quantidade que pode beber com segurança.


De forma prática, em considerado seguro (volume máximo diário):

Cerveja: 330ml
Vinho: 100ml
Destilado (exemplos: whisky, gim): 30ml

A pergunta que sempre faço a meus pacientes: é permitido 330ml de cerveja, o que dá uma lata, mas você iria em uma festa e tomaria apenas uma lata de cerveja? Se contentaria com uma única dose de whisky?


Se a resposta for sim, tudo bem, essa dose dificilmente vai fazer mal se você estiver tomando suas medicações adequadamente e com as crises controladas. Mas se acha que pode ficar difícil parar em uma só – e não me refiro a alcoolismo, mas à pressão dos amigos, àquele pensamento de que “se uma não fez mal, o que custa arriscar mais outra” – talvez seja mais prudente optar por uma cerveja sem álcool, coquetel sem álcool, água, suco ou refrigerante por exemplo.


O álcool pode interagir principalmente aumentando o efeito depressor de alguns anticonvulsivantes, especialmente os benzodiazepínicos, conhecidos como “tarja preta”, o que aumenta o risco de evolução para um estado de coma por exemplo. Em excesso também pode aumentar a filtração renal, fazendo com que alguns medicamentos sejam eliminados mais rapidamente do corpo, reduzindo seu efeito, mas isso geralmente ocorre em quantidades superiores às descritas acima.


Os anticonvulsivantes também podem diminuir sua tolerância ao álcool, portanto, os efeitos imediatos do consumo de álcool são maiores. Assim como o álcool, a maior parte dessas medicações é metabolizada pelo fígado e as duas substâncias vão competir no processamento no órgão. Em outras palavras, as pessoas ficam bêbadas mais rápido. A intoxicação rápida é um grande problema porque muitos dos efeitos colaterais desses medicamentos são semelhantes aos efeitos agudos do próprio álcool. Se você é sensível ao álcool ou a medicamentos para epilepsia, pode achar a combinação ainda pior.


O que nunca fazer?


Agora o mais importante desse post, o que você nunca deve fazer: deixar de usar o anticonvulsivante para beber. A suspensão da medicação por si já pode levar a crises epilépticas e, aliada ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o risco se eleva substancialmente. Geralmente isso ocorre junto com outros precipitantes para as crises, como ficar sem dormir por exemplo. Como costumo dizer, não dormir para beber, sem usar os medicamentos, é como pedir para ter uma crise.


Então, na dúvida, nunca pare seus medicamentos.

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